Hazel Sky

Hazel Sky: review completo

Compartilhe

Shane está diante da maior provação da sua vida: o teste em que ele vai provar que ele é um engenheiro. Isso é tão importante porque em Hazel Sky, o jogo de aventura belíssimo e brasileiro da catarinense Coffee Addict Studios, a sociedade é dividida em duas classes: a classe alta dos engenheiros, que cuida da cidade voadora de Gideon, e a classe mais baixa, daqueles que não são engenheiros trabalhadores braçais, artistas, entre outros. 

Esse teste, entretanto, não vai ser tão simples, em sua introdução, de certa forma, Hazel Sky, que vai ser lançado para PC, Playstation, Xbox e Nintendo Switch já deixa claro a urgência que Shane está sentindo. Ele é filho de Flynn Casey, o atual braço direito do vigésimo terceiro engenheiro, sendo o cargo mais alto de Gideon, e em meio a insatisfação do povo com a liderança dos engenheiros, murmúrios de uma revolução estão surgindo, e aparentemente, ela vai acontecer hoje.

Hazel Sky História 

Hazel Sky é, então, um jogo de aventura 3D focado em sua narrativa, onde você controla Shane no seu teste de engenheiro. Um teste perigoso, como fica claro pela quantidade de corpos na ilha de Sierra, uma ilha usada há gerações pela família Casey para as avaliações de novos engenheiros. 

Publicidade

De forma direta, ele funciona mais ou menos assim: você precisa montar máquinas para progredir no jogo, e você entende como as montar com esquemas que estão perto das máquinas em questão. O problema, como evidenciado pelo início do jogo que já apresenta o cadáver de um parente seu, é que essas máquinas e o que você vai precisar fazer não são, necessariamente, algo muito seguro 

Chegar na ilha em si é o verdadeiro começo de Hazel Sky, mas antes disso, na torre, montando o avião que falha com você, fica claro que algo importante para o time de desenvolvimento foi demonstrar as ações minuciosas de Shane como um engenheiro e como uma pessoa, e num jogo narrativo e mais “realista”, eu aprecio muito essa atenção a detalhes, porque elas dão um peso e uma credibilidade a cada um de seus movimentos, mesmo quando ele seja básico como segurar o RT para pregar placas de metal num avião de qualidade questionável ou simplesmente girar uma chave para abrir um baú. 

Esse cuidado na apresentação visual é evidente em todo o mundo de Hazel Sky, desde as suas ilhas bem iluminadas, repletas de detalhes em suas estruturas, natureza e coisas mais estranhas que estão por aí, presentes nas cartas, livros e itens que você acha espalhados em meio a construções abandonadas e, claro, cadáveres. 

Esse lugar é estranho. Tudo isso existe para dar profundidade ao mundo que você explora enquanto tenta achar as peças necessárias para continuar progredindo e consertando as máquinas que você vai usar para voltar para Gideon, mas você não vai estar sozinho nessa jornada, Erin, uma outra engenheira vai te acompanhar no meio de seu teste, ela fica conversando com você por um radinho. 

Publicidade

A dinâmica de Erin e Shane são um dos pilares de Hazel Sky, junto com os quebra-cabeças do jogo e esses diálogos acontecem de uma forma parecida com os de Firewatch, o jogo sobre ser um guarda-florestal. Eles conversam de forma recorrente durante os seus testes como engenheiros, e aos poucos, através de suas conversas e também de tudo que eles aprendem nessas ilhas, eles começam a se questionar sobre suas crenças, o que aprenderam antes de chegar na ilha, se eles precisam voltar de fato para Gideon e muito mais. Shane, apesar de engenheiro, ama arte e música, algo proibido para alguém da classe dos engenheiros, e Erin… Bom, ela também tem suas razões para questionar tudo à sua volta.

Hazel Sky Gameplay

Essa narrativa que vai evoluindo, na relação dos dois e no entendimento do mundo ao seu redor conforme você explora as ilhas, conversa com Erin e monta as máquinas é algo muito prazeroso de se experienciar, mesmo se um tanto simples. É um loop de ir atrás de quebra cabeças “menores”, para conseguir as peças e solucionar o quebra cabeça “maior”, que é a máquina em si, enquanto no meio disso você conversa com Erin, explora um mundo com um visual impressionante para o tamanho da equipe brasileira da Coffe Addict, e curte, até mesmo, uma musiquinha, mesmo que seja algo “proibido”. 

Descobrir mais músicas e mais do mundo em meio essa exploração simples, mas eficiente é prazeroso, entretanto, as conversas entre os protagonistas, às vezes, parecem carecer de naturalidade, tanto na forma que as linhas são entregues pelos atores, especialmente o de Shane, como pela forma que são escritas, também. Não é sempre que acontece, mas às vezes, existe uma mudança de assunto ou tom meio abrupta na conversa deles. 

Não é que Hazel Sky tenha um mundo totalmente desinteressante, mas faltou se aprofundar na questão do peso das escolhas que estão na mão de Shane e como ele lida com tudo isso, e também, se aprofundar nos mistérios e no que existe nesse mundo além de Gideon apesar de criarmos certo apego aos dois personagens enquanto exploramos esses ambientes. Essa simplicidade de Hazel Sky, então, é tanto uma qualidade como um problema do jogo. 

Uma qualidade em tornar a experiência, o momento a momento, em algo prazeroso e repleto de pequenas descobertas, mas um problema ao não se aprofundar em temas interessantes apresentados no decorrer da jornada de Shane. É um dilema porque, no fim, não estávamos tão interessados após Hazel Sky ou em Gideon, a cidade que é um elemento chave da narrativa, mas estávamos interessados nas pequenas coisas além de Gideon que temos um vislumbre explorando essas ilhas. 

Conclusão de Hazel Sky: é bom?

Divirta-se em seus quebras cabeças e se interesse pelo bate-papo de Shane e Erin. Em sua conclusão, ele não tira proveito de certos mistérios e de coisas que ele fala sobre o mundo ao seu redor, transformando essa conclusão em algo que carece de impacto e acaba não deixando uma marca em você, algo que precisaria ser mais explorado no jogo. 

É difícil, entretanto, ter má vontade com Hazel Sky, pois o capricho apresentado em todos os elementos visuais de seu mundo, o ritmo que é ditado pela narrativa e pela exploração enquanto você arruma as máquinas, e, claro, a trilha sonora.

Hazel Sky pode ser um tanto simples e carecer de uma conclusão realmente satisfatória, mas às vezes a jornada é mais importante que o final em si.

Avalie nosso post

Você também pode gostar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *