halo infinite analise

Análise de Halo Infinite

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É difícil pensar em uma série que seja tão interligada com a marca Xbox quanto Halo. 20 anos atrás, foi Halo que definiu o lançamento do primeiro console da Microsoft. Conforme Halo crescia, o Xbox crescia. E seu crescimento foi um fenômeno. No seu ápice, com o terceiro jogo, um dos melhores FPSs já feitos, Halo bateu recordes da indústria de entretenimento. 

Com tanta proximidade, com essa simbiose entre Xbox e Halo, faz sentido que, quando o Xbox perdeu muita de sua popularidade e os bons olhos do público graças às decisões catastróficas do período inicial do Xbox One, ao gerenciamento falho de tantos estúdios e talento, resultando no fechamento da Ensemble, da Lionhead, e da Bungie deixando de ser um estúdio interno do Xbox

Nesse redemoinho de problemas, Halo, também, decaiu em popularidade. Halo Infinite, entretanto, era a grande interrogação dessa simbiose. Halo, em seus piores momentos, com o quarto e quinto jogo, estiveram ao lado do Xbox, também em seus piores momentos. 

Agora, que a marca recebe mais investimento do que nunca, demonstrado em suas aquisições recentes como a Bethesda e outros estúdios, as negociações com o Game Pass e o tempo maior de desenvolvimento que resulta em excelentes títulos como Psychonauts 2, será que Halo Infinite iria nadar contra a maré de expectativas negativas alimentadas pelo que aparenta ter sido um período de desenvolvimento um tanto turbulento, com troca de diretores constantes e um adiamento perto do seu lançamento original? 

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No geral a resposta é, felizmente, que sim, Halo Infinite conseguiu superar expectativas. 

O multiplayer está disponível desde novembro para todos, muitas das expectativas de Halo Infinite vem pelo grande intervalo desde o último jogo da franquia. 

Tudo sobre Halo Infinite

Já fazem cerca de 6 anos desde Halo 5 e Halo Infinite, o maior e mais ambicioso jogo da série foi definido por muitas de suas promessas e antes de chegarmos no que ele consegue de fato cumprir, que é criar uma campanha no nível dos clássicos da Bungie em muitos sentidos, é difícil não apontar como ele não cumpre muitas de suas promessas também. 

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Halo, é definido por seu co-op, e fica um gosto amargo quando uma funcionalidade básica da franquia não está, desde o início, disponível em Infinite. É extremamente decepcionante saber que vai demorar no mínimo 6 meses para essa funcionalidade ser implementada no jogo. 

Coisas como o adiamento do co-op do jogo e a constante troca de liderança do projeto deixaram um ar de negatividade ao redor de Halo Infinite, aquela premonição que o lançamento do mais novo épico de ficção científica de Master Chief ia ser um desastre. Mas apesar desses problemas, após mais de 25 horas na campanha e em seu mundo aberto é fácil afirmar: Halo Infinite é um dos jogos mais divertidos da franquia

História do Halo Infinite

Fazem 6 meses que a humanidade perdeu a guerra no Zeta Halo para a facção dos Banidos, introduzida inicialmente em Halo Wars 2 que também são os grandes antagonistas de Infinite. Ninguém sabe o que aconteceu com Cortana após Halo 5.  Ninguém sabe porque esse Halo está destruído. Master Chief, pela primeira vez, completamente derrotado pelos Banidos, é encontrado flutuando no espaço por um piloto sobrevivente do gigantesco embate entre a humanidade e a facção alienígena. 

Se você está meio perdido, tudo bem. Essa é parte da intenção de Halo Infinite, traçando paralelos, nós estamos novamente dentro de um grande mistério em um Halo, como no primeiro jogo da franquia. Como Master Chief, você vai precisar preencher a lacuna do que aconteceu nesses 6 meses, e como Master Chief, você, novamente, vai ser a grande esperança da humanidade. 

E em uma guerra perdida, após ser encontrado pelo piloto que é um dos dois coadjuvantes da nossa história, ele vai precisar apenas de uma pistola para começar o contra-ataque. 

Na primeira missão do jogo, dentro de uma das naves dos Banidos, nós somos introduzidos às mecânicas relativamente familiares de Halo Infinite. 

Os Banidos são similares aos covenants, com inimigos icônicos da franquia marcando presença como os Brutes, Elites, Grunts e Jackals e em Infinite eles apresentam comportamentos e táticas de combate que tornaram a série tão reconhecível e famosa em primeiro lugar. 

O combate em Halo Infinite

É preciso deixar claro já no início dessa análise que toda a parte de combate, movimentação, o famoso loop de 30 segundos de diversão de Halo está melhor do que nunca aqui, talvez até melhor que os Halos criados pela Bungie. E dentro disso, é difícil não falar da grande nova adição que torna o combate mais dinâmico do que nunca: o gancho Halo sempre teve verticalidade em seus cenários, mas a forma como você se movimentava e tirava vantagem dessa verticalidade nunca apresentou tanta liberdade como com a adição do gancho

Não dá para imaginar Halo sem esse gancho. O gancho tem múltiplos propósitos: movimentação rápida pelo cenário, se aproximar de inimigos, roubar veículos ou puxar coisas até você, como um explosivo, por exemplo. Ele é uma adição perfeita que tem uma sinergia impressionante com as armas e ferramentas que você tem a seu dispor, e ele torna o ato de enfrentar os Banidos em algo ainda mais divertido. 

Isso já fica perceptível em sua primeira missão, seja nesses confrontos ou na própria movimentação quando você precisa usar o gancho para viajar por essas plataformas para retornar ao seu colega Piloto.

As missões de Halo Infinite

Na segunda missão você conhece “A Arma”, uma IA criada para prender Cortana. A Arma e o Piloto são os personagens que vão estar ao lado de Master Chief nessa jornada, e é nessa missão que você também é introduzido à adições importantes para Infinite, como os chefes e a mudança mais radical do jogo ao lado do gancho: seu mundo aberto. 

A primeira vez que você tem a visão do Zeta Halo, mesmo no Series S que é onde toda esse gameplay da campanha foi gravado, é de tirar o fôlego. Vistas impressionantes e vastas sempre foram marcas registradas da franquia e aqui, elas tomam outro significado já que você pode explorar aquilo que você vê no horizonte. Estávamos preocupados em relação ao mundo aberto do jogo, a preocupação era  da 343 perder a mão na quantidade de objetivos, de eles se tornarem marcadores sem grande propósito em um mapa gigantesco, algo que se tornasse cansativo e que prejudicasse o ritmo e as setpieces que são tão essenciais à Halo. 

Isso não acontece pela forma que o jogo é estruturado, com uma divisão entre as missões principais, sempre apontadas no mapa e que você pode ir à qualquer momento, sem coisas como divisão por níveis, status de armas e afins, e também pelo Zeta Halo, mesmo em toda sua escala, ser surpreendentemente contido. 

Existem sim diversos marcadores que apontam muito do que você pode cumprir de objetivos secundários: núcleos espartanos, que permitem que você faça upgrades em equipamentos como o gancho, diminuindo o cooldown de seu uso. 

Existem FOBS, bases avançadas da UNSC que você pode recuperar para aos poucos liberar a requisição de mais armas e equipamentos e também liberar pontos de viagem rápida, existem alvos valiosos, mini chefes espalhados pelo mapa e existem grandes bases dos Banidos com objetivos diferentes a serem completados. 

Entretanto, o posicionamento disso tudo, a forma como esses ícones aparecem de forma gradual e nunca exagerada acompanhando sua progressão nas missões principais da campanha fez com que esses objetivos secundários nunca se tornassem cansativo, especialmente por quão legal é viajar por esse anel e pelo combate excepcional de Infinite. 

Os inimigos 

O jogo lembra de quão agressivos e eficientes os inimigos podem ser em atacar e finalizar o Master Chief caso você não preste atenção nos seus arredores. Essa IA é parte do que torna o combate de Infinite, de Halo, tão engajante. Como o Grunt pode fugir amedrontado se ficar isolado de seus colegas, como os inimigos podem te flanquear, como os diferentes tipos de Elite vão te atacar de formas unicas, os Brutes também. 

A variedade de inimigos em Halo, seja nas diferenças dentro de cada raça ou nos chefes e mini chefes, que são muito melhores que os do passado da franquia, especialmente o 5, e como esses inimigos não estão atrelados a níveis e números e sim aos seus comportamentos inteligentes fazem com que de início ao fim eles sejam sempre desafiadores, e tudo fica ainda mais interessante com todas as particularidades de animações e reatividade que a IA do jogo têm, os seus aliados também inclusive. 

Isso é o que tornou a franquia uma das melhores de todos os FPSs em seus   confrontos, e, sinceramente, esse aspecto nunca esteve tão bom como está em Halo Infinite. Foi um alívio ver como tudo simplesmente se encaixa de forma natural à toda a dinâmica, ao DNA da franquia. 

Os detalhes do novo game

Depois de tanto tempo desencantado com a direção que levaram Halo, Infinite reacendeu um interesse por esse universo que pensamos nunca iria voltar. Isso é exacerbado pela direção de arte que remete aos clássicos da Bungie e pela trilha sonora absolutamente excepcional composta por Gareth Coker, Joel Corelitz e Curtis Schweitzer. A única trilha sonora desde que Marty O’Donnel deixou seu posto que faz jus às trilhas lendárias, ao piano emocionante que fez parte de tantos momentos inesquecíveis. 

Halo Infinite, como vocês perceberam, é muito bom, mas a queda certeira de Master Chief no Zeta Halo não é acompanhada pela narrativa que o leva até lá. 

Enquanto o mistério inicial é um excelente pontapé para te deixar fascinado por esse mundo misterioso e monumental, a forma com que eles lidam com esse grande mistério deixa a desejar. O Escharum e os Banidos não tem um bom desenvolvimento narrativo, fora os monólogos constantes de um vilão que carece de nuance, o Piloto não tem tempo em tela ou momentos para fazer você se importar de verdade com ele e as grandes interrogações para o futuro da franquia, apesar de acharmos que foi um passo certeiro e que foram questões que, ao contrário dos finais de Halo 4 e 5, nos deixaram curiosos para o que vem aí, ainda são lacunas grandes demais, onde existe um misto de curiosidade e frustração.

Halo Infinite vale a pena?

Acreditamos que eles não mergulharam fundo o bastante nas possibilidades que eles mesmo apresentam. O grande destaque é a relação do Master Chief com A Arma, a sinergia deles é apresentada de forma natural e constante nas transições impressionantes entre gameplay e as cutscenes. Elas poderiam ser mais impressionantes se o jogo não tivesse problemas técnicos como as animações faciais rodando em um framerate diferente do resto do jogo. É estranho. Esses problemas técnicos também se apresentam no mundo aberto, especialmente na versão do Series S, com problemas em sua resolução e uma falta de detalhes que ficam aparentes enquanto você joga. 

Com mais de 25 horas, raramente tivemos experiências com bugs, mas é triste ver esse tipo de sacrifício visual e a diferença do jogo para o trailer inicial da Slipspace Engine de 2018. 

O mundo aberto tem seus segredos e é muito divertido de se explorar, mas a falta de variedade estética machuca o que poderia ser um anel ainda mais alienígena e fascinante. Acreditamos que poderia haver mais mistérios no Zeta Halo. Eles existem, fora de marcadores, mas eu queria ainda mais. É impressionante, entretanto, que depois de todos os adiamentos e problemas públicos em relação à Infinite, que eles tenham conseguido acertar em tanta coisa. Especialmente em suas mecânicas, no seu ritmo, no seu level design. Mas é uma pena que não tenha nenhuma luta contra um Scarab. 

Halo Infinite é vendido como a plataforma de Halo para os próximos 10 anos, um jogo como serviço que vai englobar tanto sua parte competitiva online, algo que é mais natural de se imaginar com evoluções constantes, mas, também, sua, ou melhor, suas campanhas para o futuro. 

Prós:

  • Exploração
  • Mundo aberto
  • Trilha sonora
  • Combate

Contra:

  • Narrativa
  • Problemas em seus visuais
  • Variedade estética

5/5 - (1 vote)

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